Andirá
O morcego que voa pela Amazônia.
Andirá CPXE
| Nome Oficial | Andirá Complexo Esportivo |
|---|---|
| Sigla | AND |
| Apelido | Morcego, Alvinegro. |
| Cores | Preto, Verde, Amarelo e Vermelho |
| Fundação | 1º de novembro de 1964 |
| Cidade | Rio Branco |
| Capacidade | 90 mil lugares |
| Títulos nacionais | 0 |
| Títulos estaduais | 12 (último: 2023) |
| Complexo | Estádio da Granfina, Caverna do Morcego, Centro de Formação Cláudia Malheiros, Universidade da Floresta, Parque dos Morcegos, Estação Central do Morcego |
| Conferência | Conferência Amazonas |
| Estado | Acre (AC) |
| Situação na Gangorra | Na liga nacional (2026) |
História
Fundação e primeiros anos (1964)
O Andirá Esporte Clube foi fundado em 1º de novembro de 1964 por uma das famílias mais tradicionais do Acre — os Dantas. O nome escolhido veio da palavra indígena "andyrá", que em tupi significa "morcego". As cores iniciais eram o preto e o branco, adotadas pela simplicidade e pelo contraste.
O mascote — o morcego — é uma referência à loja "A Granfina", uma das mais completas lojas de suprimentos de Rio Branco entre as décadas de 1940 e 1970. A loja abrigava muitos morcegos em seu sótão, e a torcida adotou o símbolo com carinho.
— "O morcego é nosso. A Granfina já fechou, mas o morcego ficou." — Torcedor antigo.
O clube nasceu no ano da Revolução Desenvolvimentista — a bifurcação histórica que criou o Brasil de Futopia. O Andirá é, portanto, um clube que nasce junto com a nova era.
Até 1964, a história do futebol acreano e brasileiro é idêntica à do mundo real. A partir dali, o clube segue o curso da nova nação.
A construção do Complexo (anos 1970–1980)
Nos primeiros anos, o Andirá jogava no Estádio José de Melo, um campo simples na periferia de Rio Branco. Com a Lei dos Complexos, aprovada em 1975, todos os clubes da liga nacional foram obrigados a construir infraestrutura completa. O Andirá inaugurou seu Complexo em 1981, seguindo o padrão nacional único — estádio, centro de treinamento, escola, universidade e parque público.
— "Lembro do dia da inauguração. A gente não acreditava que um clube do Acre ia ter um estádio daquele tamanho. Foi o dia que o futebol daqui virou coisa séria." — Zé Carlos, atacante histórico do Andirá (1974–1988).
Futebol Misto e Cláudia Malheiros (1978)
Em 1978, a CBF tornou obrigatória a participação de jogadoras nos times profissionais, e o Andirá foi um dos primeiros clubes a integrar mulheres ao seu elenco. Naquele ano, a jovem Cláudia Malheiros marcou o primeiro gol do time misto do clube — um marco que até hoje é celebrado pela torcida.
Cláudia jogou no Andirá até 1985 e, em 2000, tornou-se a primeira mulher a assumir o comando técnico de um time profissional no Brasil — um feito que consagrou sua trajetória dentro e fora de campo.
— "Cláudia abriu uma porta que ninguém sabia que existia. Ela mostrou que o futebol não tem gênero, tem qualidade." — Membro do Conselho do Andirá.
Em sua homenagem, o Centro de Formação do Andirá foi renomeado em 2026 para Centro de Formação Cláudia Malheiros.
A Renovação da Identidade (1985–1995)
Em meados da década de 1980, inspirado pela Reforma Onomástica e pela necessidade de se conectar ainda mais com sua terra, o Andirá passou por uma renovação visual radical.
O escudo tradicional, que era apenas preto e branco, foi reformulado. O fundo continuou preto, mas o morcego, antes branco, ganhou a cor da floresta: o verde. Detalhes em amarelo e vermelho foram adicionados como uma homenagem direta à bandeira do Acre, representando a riqueza da terra e a luta do seu povo. O uniforme também mudou: listras verticais verdes e pretas, com detalhes em amarelo e vermelho, substituíram o preto e branco original.
— "O verde é a nossa floresta. O amarelo é o ouro da borracha. O vermelho é o sangue dos seringueiros. E o preto é a noite onde o morcego voa." — Torcedor do Andirá.
A Copa Nacional de 1992
O Andirá chegou à semifinal da Copa Nacional em 1992, sua melhor campanha na história da competição — um feito que colocou o clube acreano no mapa do futebol nacional. Na ocasião, o time foi eliminado pelo Guarany de Sobral (CE), que viria a ser o campeão daquele ano.
A rivalidade com o Rio Acre CPXE
O Rio Acre CPXE (ex-Rio Branco FC) é o rival histórico. A rivalidade nasceu no campo e se intensificou após a Reforma Onomástica, quando o Rio Acre foi obrigado a se reinventar. Torcedores do Andirá provocam: "Vocês nem nome têm" — e os do Rio Acre respondem: "Morcego só voa à noite, de dia não sai do chão".
A Gangorra — o rodízio
O Andirá, como todos os clubes com Complexo, está sujeito à Gangorra — o rodízio obrigatório que leva clubes da liga nacional para o estadual e vice-versa, sempre por sorteio público.
Em 2024, o Andirá foi sorteado para o Estadual do Acre.
Em 2025, retornou à Conferência Amazonas.
Em 2026, está na liga nacional.
— "Quando fomos sorteados para o estadual em 2024, a torcida não se desesperou. Sabiam que era nosso ciclo. Fomos, jogamos, fomos campeões, e voltamos. Isso é o futebol, não é queda, é movimento." — Presidente do Conselho do Andirá.